quinta-feira, 14 de julho de 2016

Você não está Pregando o Evangelho se...


Quando dois pastores se encontram pela primeira vez, a mesma pergunta sempre surge: quão grande é a sua igreja? E eu entendo. De que forma mais um pastor poderá determinar se é um sucesso ou um fracasso? Ministério pastoral não é como um esporte, no qual até mesmo as estatísticas mais obscuras (média de metros com domínio da bola depois da metade do primeiro tempo) são quantificadas e ganham valor. Ministério não é como os negócios, tampouco, com um relatório financeiro que não é distintamente vermelho ou distintamente preto. Ministério não é como a indústria, a qual é frequentemente resumida a quanto você vendeu e quanto ganhou em cada venda. Não, o ministério é muito mais nebuloso. Equações terrenas para determinar o sucesso ou o fracasso de um pastor são muito mais difíceis de conseguir.

Por causa da sua natureza nebulosa, alguns pastores tentam desesperadamente encontrar alguma medida ou número que os ajude a determinar se estão sendo bem sucedidos. Eles querem se assegurar de que estão fazendo um bom trabalho. Então, eles se voltam ao tamanho de suas congregações ou ao número de vezes que os sermões deles são baixados ou ao número de seguidores no Twitter que possuem ou aos metros quadrados de seus auditórios ou ao tamanho do orçamento da igreja. E ao mesmo tempo em que não há nada inerentemente errado com esses números, eles normalmente não são um bom indicador de se o pastor é ou não fiel à pregação do Evangelho. Na verdade, eles podem até ser enganosos, fazendo com que o pastor pense que ele é bem sucedido, quando, na verdade, é apenas popular (grande diferença).

Então, como um pastor pode saber quando está pregando fielmente o evangelho? Aqui estão alguns indicadores. Você sabe que está pregando o evangelho quando…

Você está menos impressionado consigo mesmo

Antes de poder pregar o evangelho a outros, você tem que ser capaz de pregá-lo para si mesmo primeiro. Você não pode levar outros a beber de um riacho que você mesmo não tenha descoberto. Como você sabe que prega o evangelho a si mesmo? Um sinal é que você está menos impressionado consigo mesmo do que você costumava estar.

Quando nós verdadeiramente entendemos o Evangelho, começamos a perceber que não somos grande coisa afinal. Em 1Coríntios 1:26-29, Paulo diz:

“Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.”

Deus não opera como em um time profissional de futebol. Ele não chama os melhores e os mais brilhantes ao gramado. Em vez disso, ele chama os fracos e os menores à salvação e aí os posiciona no ministério. Se você foi chamado ao ministério, não é porque Deus precisava de você no time dele. 

É porque ele se deleita em você e o queria em sua família. Quando nós aproximamos nossas mentes ao redor desta verdade monumental, isso nos permite deixar de tentar sermos impressionantes. Deus não está impressionado conosco, e nós também não deveríamos estar.

Você se sente menos impressionante conforme prossegue no ministério? Isso é boa notícia! Isso provavelmente significa que você está pregando o evangelho a você mesmo!

Sua igreja se torna mais bagunçada

Se você está pregando fielmente o evangelho, Deus motivará descrentes a serem salvos. Quando descrentes são salvos, eles vão à sua igreja, e trazem com eles suas bagagens. Salvação nunca acontece num vácuo. Nossos pecados, lutas e fraquezas não desaparecem no momento em que somos salvos. Quando uma mulher anoréxica é salva, ele é completa e totalmente perdoada, mas as chances são grandes de que ela continuará lutando contra a anorexia por algum tempo. Como um pastor, você tem o privilégio de adentrar à bagunça e ajudá-la a andar para fora dela. Quando um fornicador de série é salvo, seus pecados são imediatamente perdoados, mas a libido dele não é desligada. Como um pastor, você tem o privilégio de ficar ao lado dele enquanto ele luta contra a lascívia.

Não esqueça: quando você foi salvo, você trouxe sua bagunça com você (e você ainda é uma bagunça!). Se a sua igreja estiver ficando bagunçada, não fique desencorajado. Isso provavelmente significa que você está pregando fielmente o Evangelho!

As pessoas começam a ser honestas sobre elas mesmas

As boas novas do Evangelho são que Deus nos aceita como nós estamos, não como nós seremos. Em Cristo, nós somos totalmente, completamente e radicalmente aceitos. 100% da justiça de Cristo nos é creditada. Não 50%, não 85% – um glorioso 100%. Se você estiver pregando o evangelho em toda a sua bondade radical, as pessoas vão se sentir seguras em Cristo. Se as pessoas se sentem seguras em Cristo, elas podem parar de agir como se elas tivessem tudo no lugar. Se elas são justas em Cristo, elas não precisam fingir nenhum teatro. Elas, junto com você, podem ser honestas sobre lutas e pecados.

Quando as pessoas começam a ser honestas sobre as lutas delas, as coisas podem ficar… complicadas. Quando uma pessoa confessa atração por pessoas do mesmo sexo ou vício em drogas ou uma compulsão alimentar ou raiva intensa,ou um ato crônico de mentir ou total desesperança, isso pode criar camadas de constrangimento, tensão social e até divisão. Como um pastor, você tem o privilégio de ajudar pessoas a trabalharem através de complicações que o pecado cria. De ajudar pessoas a aplicarem o evangelho à atração pelo mesmo sexo, vício em drogas e raiva.
Se a sua igreja está ficando complicada porque as pessoas estão sendo honestas sobre si mesmas, não fique desanimado! Isso provavelmente significa que você está pregando fielmente o Evangelho.

Conclusão

Ministério não é um jogo de números. Não é ficar maior, melhor ou mais brilhante. Não é sair arrasando ou conquistando títulos. Ministério é bagunça. Ministério é complicado. Ministério é se tornar menos impressionado com você mesmo e mais ferido com o Salvador. Mas isso são boas notícias. Por quê? Porque isso nos permite sair da esteira da performance. Isso nos permite parar de nos sentirmos tão horríveis quando compararmos nossa igreja com outras igrejas. Quando nós estamos realmente pregando o Evangelho, tanto para nós mesmos quanto para outros, isso nos liberta. 
E isso resulta no tipo de sucesso que dura por toda a eternidade!

Tradução: João Pedro Cavani. Revisão: Yago Martins. © 2016 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: Você não está pregando o evangelho se…

domingo, 3 de julho de 2016

Entretenimento na igreja é uma Lepra - C. H. Spurgeon

    
 
No final do século XIX, Spurgeon vislumbrou essa tendência de se trazer diversão para dentro da igreja. Na medida em que se alastrava a Controvérsia do Declínio, em 1889, a saúde de Spurgeon se tornava precária, e, por isso, ele deixou de pregar em vários domingos. Mas, em uma quinta-feira à noite, no mês de abril, Spurgeon pregou no Tabernáculo uma mensagem na qual ele afirmou:
“Creio não estar procurando erros onde o erro não existe; mas não consigo abrir os olhos sem ver coisas sendo feitas em nossas igrejas que, há trinta anos, não eram nem sonhadas. Em termos de diversão, os professos têm avançado no caminho do relaxamento. O que é pior, as igrejas agora pensam que sua responsabilidade é entreter as pessoas. Discordantes que costumavam protestar contra a ida a um teatro, agora fazem com que o teatro venha a eles. Muitos [templos de igrejas] não deveriam receber licença para exibir peças teatrais? Se alguém fosse sério em exigir obediência às leis, não teriam de obter uma licença para que suas igrejas funcionassem como teatros?

Tampouco ouso falar a respeito do que tem sido feito nos bazares, jantares beneficentes, etc. Se estes fossem organizados por pessoas mundanas decentes, não poderiam alcançar melhores resultados? Que extravagância ainda não foi experimentada? Que absurdo tem sido grande demais para a consciência daqueles que professam ser filhos de Deus e que não são deste mundo, mas chamados a andar com Deus em uma vida de separação?

O mundo considera as altas pretensões de tais pessoas como hipocrisia; e, de fato, não conheço outro termo melhor para classificá-las. Imaginem aqueles que gostam da comunhão com Deus brincando de tolos, com roupas teatrais! Falam acerca do lutar com Deus na oração em secreto, mas fazem malabarismo com o mundo em uma jogatina irreconciliável. Será que isto está correto? O certo e o errado trocaram de lugar? Sem dúvida, existe uma sobriedade de comportamento que é coerente com a obra da graça no coração, e existe uma leviandade que indica que o espírito maligno está em supremacia.

Ah! senhores, pode ter havido uma época em que os cristãos eram por demais precisos, mas não é assim em meus dias. Pode ter existido uma coisa espantosa chamada rigidez Puritana, mas eu nunca a vi. Agora estamos bem livres desse mal, se é que ele existiu. Já passamos da liberdade para a libertinagem. Ultrapassamos o dúbio e caímos no perigoso, e ninguém pode profetizar onde haveremos de parar. Onde está a santidade da igreja de Deus hoje?... Ela não passa de algo turvo, tal qual um pavio que fumega; é mais um objeto de ridicularização do que de reverência.

Será que o grau de influência de uma igreja não pode ser medido por sua santidade? Se grandes hostes daqueles que professam ser cristãos fossem, quer em sua vida familiar, quer em seus negócios, santificados pelo Espírito, a igreja se tornaria uma grande potência no mundo. Os santos de Deus poderão lamentar juntamente com Jerusalém, ao perceberem que sua espiritualidade e santidade estão em níveis baixíssimos! Outros podem considerar isto como algo que não trará qualquer consequência; porém, nós o vemos como o irromper de uma lepra.” ( Fim da citação )
Eis o desafio para a igreja de Cristo: "Purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus" (2 Co 7.1). Não é a engenhosidade de nossos métodos, nem as técnicas de nosso ministério, nem a perspicácia de nossos sermões que trazem poder ao nosso testemunho. É a obediência a um Deus santo e a fidelidade ao seu justo padrão em nosso viver diário.
Precisamos acordar. O declínio é um lugar perigoso para ficarmos. Não podemos ser indiferentes. Não podemos continuar em nossa busca insensata por prazer e auto-satisfação. Somos chamados a lutar uma batalha espiritual e não poderemos ganhá-la apaziguando o inimigo. Uma igreja fraca precisa se tornar forte, e um mundo necessitado precisa ser confrontado com a mensagem de salvação; e talvez haja pouco tempo para isso. Como Paulo escreveu à igreja em Roma: "Já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz" (Rm 13.11,12).

Via:
 http://www.charleshaddonspurgeon.com