sábado, 21 de novembro de 2015

Porque todos pecaram...(João Calvino)

 

Romanos 3.23-26

(23) Porque todos pecaram e foram privados da glória de Deus; (24) sendo justificados gratuitamente por sua graça mediante a redenção que está em Cristo Jesus; (25) a quem Deus apresentou como propiciação, por meio de seu sangue, para manifestar sua justiça, visto ter deixado impunes os pecados anteriormente cometidos, de conformidade com sua tolerância; (26) pois tendo em vista, digo eu, a manifestação de sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus
23. Porque não há distinção: Todos pecaram e privados estão da glória de Deus. Paulo insiste em que todos, sem distinção, carecem de buscar justiça em Cristo, como se dissesse: “Não há outro caminho para a obtenção desta justiça. Não há um método para justificar alguns, e outro método diferenciado para justificar outros, senão que todos igualmente têm de ser justificados por meio da fé, já que todos são pecadores, e ninguém tem como justificar-se diante de Deus.” Ele tem por certo que todo mundo que se aproxima do tribunal divino se conscientiza plenamente de ser pecador, e se sente aniquilado e perdido sob o senso de sua própria culpa. E assim faz-se evidente que nenhum pecador pode suportar a presença de Deus, como se pode ver no exemplo de Adão [Gn 3.8].
O apóstolo ataca novamente com um argumento extraído do oposto; por esta razão é bom notarmos seu raciocínio. Visto que todos os homens são pecadores, daí o apóstolo inferir que todos são deficientes ou desprovidos de todo e qualquer louvor da justiça. Portanto, à luz de seu ensino, não existe justiça senão aquela que é perfeita e absoluta. Se porventura existisse aquilo a que chamam de meia-justiça, então não haveria qualquer necessidade de privar o homem, completamente, de toda e qualquer glória por ser ele um pecador. Por isso, a ficção criada por alguns de uma justiça parcial é suficientemente refutada. Se porventura tivesse base o conceito de que somos parcialmente justificados pelas obras e parcialmente pela graça de Deus, então este argumento de Paulo, de que todos se acham privados da glória de Deus por serem pecadores, careceria de qualquer força. Portanto, o certo é que não há justiça onde o pecado se faz presente, até que Cristo elimine a maldição. É precisamente isso o que Paulo está a declarar em Gálatas 3.10, a saber: que todos quantos se acham debaixo da lei estão expostos à maldição, e que somos libertados dela somente através da munificência de Cristo. A glória de Deus significa a glória que está na presença de Deus, como em João 12.43, onde nos diz nosso Senhor que amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus. Assim o apóstolo nos arrebata do aplauso dos palcos humanos e nos coloca diante do tribunal celestial.
24. Sendo justificados gratuitamente por sua graça. O particípio do verbo é usado aqui de acordo com o costume grego. Eis o significado: visto que não é deixado ao homem, intrinsecamente, senão o fato de que ele perece acossado pelo justo juízo de Deus, por isso é que todos são justificados gratuitamente pela misericórdia divina. Pois Cristo vem em socorro das misérias humanas e se comunica com os crentes, de modo que tão-somente encontrem nele todas as coisas de que carecem. É provável que não haja na Escritura nenhuma outra passagem que ilustre de forma tão extraordinária a eficácia desta justiça, pois demonstra que a misericórdia divina é a causa eficiente; Cristo e seu sangue, a causa material; a fé, concebida pela Palavra [Rm 10.17], a causa instrumental; e a glória, tanto da justiça divina quanto da munificência divina, a causa final.
Com respeito à causa eficiente, o apóstolo diz que somos justificados gratuitamente, e que somos justificados – o que reforça ainda mais – por sua graça. Assim, ele usou duas vezes a expressão para que se saiba que tudo vem de Deus, e nada de nós mesmos. Teria sido suficiente confrontar graça e mérito; porém, para impedir que entretivéssemos a idéia de uma justiça truncada, ele firmou ainda mais nitidamente seu significado por meio de repetição, e assim reivindicou para a misericórdia de Deus, exclusivamente, todo o efeito de nossa justiça, a qual os sofistas dividem em duas partes e mutilam, com o fim de não se sentirem constrangidos a admitir sua própria pobreza.
Mediante a redenção que está em Cristo Jesus. Esta é a causa material, a saber: o fato de que Cristo, mediante sua obediência, satisfez o juízo do Pai; e ao tomar sobre si nossa causa, livrou-nos da tirania da morte, por meio da qual fomos mantidos em cativeiro. Nossa culpa é cancelada pelo sacrifício expiatório por ele oferecido. Aqui, novamente, a ficção daqueles que fazem da justiça uma qualidade [humana] recebe sua melhor refutação. Se somos considerados justos diante de Deus em razão de sermos redimidos mediante um preço, certamente recebemos de outra fonte o que não possuímos. O apóstolo, logo a seguir, explica mais claramente o valor e objetivo desta redenção, ou, seja: ela nos reconcilia com Deus, pois ele chama Cristo de propiciação ou (prefiro usar a alusão a uma figura mais antiga) propiciatório. O que ele pretende é que somos justos somente até onde Cristo reconcilia o Pai conosco. Mas devemos agora examinar o que ele diz

25. A quem Deus apresentou como propiciação. O verbo grego, προτίθεναι, às vezes significa predeterminar e às vezes apresentar. Se porventura preferirmos o primeiro significado, então Paulo está a referir-se à graciosa misericórdia de Deus em haver designado Cristo como nosso Mediador a fim de reconciliar o Pai conosco por meio do sacrifício de sua morte. Não é um encômio comum da graça de Deus o fato de que, de seu próprio beneplácito, ele encontrou uma forma pela qual pudesse remover nossa maldição. Na verdade, tudo indica que a presente passagem concorda com aquela que se acha em João 3.16: “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu Filho unigênito.” Entretanto, se adotarmos o segundo significado, o sentido será o mesmo, a saber: que, a seu próprio tempo, Deus o apresentou, a quem designou Mediador. Há, creio eu, na palavra ἱλαστήριον, como já disse, uma alusão ao antigo propiciatório, pois o apóstolo nos informa que em Cristo foi exibido em realidade, aquilo que, para os judeus, foi dado figuradamente. Entretanto, visto que o outro ponto de vista não pode ser descartado, caso o leitor prefira aceitar o sentido mais simples, então deixarei a questão em aberto. O significado específico do apóstolo, aqui, se faz ainda mais evidente se atentarmos para o que ele diz, ou, seja: que Deus, à parte de Cristo, está sempre irado conosco, e que somos reconciliados com ele quando somos aceitos por meio de sua justiça. Deus não nos odeia na qualidade de feituras suas, ou, seja, pelo fato de nos ter criado como seres viventes, mas o que ele odeia em nós é a impureza, a qual extinguiu a luz de sua imagem. Quando esta [impureza] é removida, então ele nos ama e nos abraça como feituras suas, próprias e puras.
Como propiciação pela fé em seu sangue. Prefiro esta retenção literal da linguagem de Paulo, visto que, segundo meu modo de pensar, sua intenção era usar uma única idéia ao declarar que se reconcilia conosco tão logo pomos nossa confiança no sangue de Cristo. Porque é pela fé que tomamos posse deste benefício. Ao mencionar somente o sangue, ele não pretendia excluir as outras partes da redenção; ao contrário, pretendia incluir tudo numa única palavra, e fez menção do sangue porque é nele que somos lavados. E assim toda a nossa expiação é compreendida no ato de se tomar a parte pelo todo. Havendo uma vez afirmado que Deus nos reconciliou em Cristo, ele agora adiciona que esta reconciliação é processada através da fé, ao mesmo tempo que, olhar para Cristo, constitui o principal objetivo de nossa fé.
Visto ter deixado impunes os pecados anteriormente cometidos. A preposição causal [visto que] é equivalente a por causa da remissão ou com o fim de apagar nossos pecados. Esta definição ou explicação confirma novamente o que tenho reiteradamente aludido, ou, seja: que os homens são justificados não pelo que são na realidade, mas por imputação. Somente ele usa várias formas de expressão com o propósito de fazer mais evidente que não há mérito algum inerente em nós concernente a esta justiça. Se a obtemos pela remissão dos pecados, concluímos que ela se acha além de nós mesmos; e mais: se a remissão em si é um ato exclusivo da liberalidade divina, então todo mérito cai por terra.
Pode-se, contudo, perguntar por que o apóstolo restringe o perdão aos pecados passados. Embora esta passagem seja explicada de várias formas, penso ser provável que o apóstolo estivesse pensando nas expiações legais, as quais eram na verdade evidências da satisfação futura, mas que não possuíam os meios de aplacar a Deus. Em Hebreus 9.15, temos uma passagem similar, na qual se declara que a redenção das transgressões que restavam sob o antigo pacto foi produzida por Cristo. Entretanto, não temos que entender que só as transgressões daqueles tempos foram expiadas pela morte de Cristo. Esta é uma idéia completamente sem sentido, a qual alguns extremistas têm extraído de uma visão distorcida desta passagem. Paulo ensina simplesmente que, até a morte de Cristo, não fora pago nenhum preço para satisfazer a Deus, e que isso não fora realizado nem consumado pelos tipos legais – por isso a verdade fora adiada até que chegasse a plenitude dos tempos. Podemos dizer mais, que aquelas coisas que nos envolvem em culpa têm de ser consideradas pelo mesmo prisma, porquanto só há uma única propiciação para todos.
A fim de evitar inconsistência, alguns eruditos têm mantido que os pecados anteriores são perdoados, com o fim de não parecer que se dava permissão para pecar-se no futuro. Sem dúvida que é verdade que nenhum perdão é oferecido exceto para os pecados já cometidos, não porque o valor da redenção se extinga ou se perca, caso pequemos no futuro – segundo o conceito de Novato e seus sequazes –, mas porque a dispensação do evangelho consiste em pôr o pecador diante do juízo e da ira de Deus, e em pôr a misericórdia divina diante do pecador. Contudo, o verdadeiro sentido está no que já havia explicado.
A frase adicional, de que esta remissão teve por base a longanimidade de Deus, significa simplesmente bondade. Esta serviu para restringir o juízo divino, e o impediu de inflamar-se para nossa destruição, até que fôssemos finalmente recebidos em seu favor. Não obstante, para não parecer que esta idéia foi posta aqui à guisa de antecipação com o fim de evitar-se a objeção de que esta graça surgiu somente em última instância, Paulo nos instrui que isso constitui uma evidência da longanimidade [divina]

26. Tendo em vista a manifestação de sua justiça. A reiteração desta cláusula é enfática e revela a intenção deliberada do apóstolo, visto que a mesma era muito necessária. Não há dificuldade maior do que persuadir alguém a privar-se de toda honra e atribuí-la a Deus; mesmo assim, o apóstolo intencionalmente menciona esta nova demonstração da justiça divina, visando a que os judeus abrissem seus olhos para ela.
No tempo presente. O apóstolo, corretamente, aplica ao período em que Cristo se revelou o que existira em todos os tempos, pois Deus manifestou publicamente em seu Filho o que anteriormente fora conhecido de forma obscura e em meio às sombras. Desta forma, a vinda de Cristo se deu no tempo do beneplácito divino e no dia da salvação [Is 49.8; 2Co 6.1,2]. Deus, em todas as épocas, havia dado provas de sua justiça; mas, ao nascer o Sol da Justiça, a mesma [justiça] despontou com maior resplendor. Portanto, observemos bem a comparação entre o Velho e o Novo Testamentos, porque a justiça de Deus só se revelou claramente no tempo em que Cristo apareceu.

Para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus. Esta é uma definição daquela justiça que, como disse Paulo, foi revelada no tempo em que Cristo se manifestou, e que, segundo nos ensinou no primeiro capítulo, se fez conhecida no evangelho. Ele afirma que ela consiste de duas partes: a primeira consiste em que Deus é justo, não propriamente um entre muitos, mas o único que possui inerentemente toda a plenitude da justiça. Ele recebe o pleno e perfeito louvor que só a ele é devido, como o único que detém o nome e a honra de ser justo, ao mesmo tempo em que toda a raça humana se acha condenada por sua injustiça [inerente]. A segunda parte refere-se à comunicação da justiça, pois Deus de forma alguma oculta suas riquezas em seu Ser, senão que as derrama sobre todo o gênero humano. A justiça divina, pois, resplandece em nós na medida em que Deus nos justifica por meio da fé em Cristo, pois este haveria sido dado em vão, para nossa justiça, caso não o usufruíssemos, por meio da fé. Segue-se disso que todos os homens, inerentemente, são injustos e estão perdidos, até que o remédio celestial lhes seja oferecido.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A máquina do tempo, Spurgeon e a sua visita a um show gospel de Thalles Roberto

A máquina do tempo, Spurgeon e a sua visita a um show gospel de Thalles Roberto



  Pois bem, o grande Spurgeon entrou na máquina do tempo vindo visitar o Brasil.  Para início de conversa ele foi recebido por um "Apóstolo" que lhe disse:
- Spurgeon, bem vindo ao Brasil. Eu profetizo sobre sua vida todo tipo de vitória, mesmo porque, fiquei sabendo que você é um oprimido do diabo e que devido a isso sofre de gota. 
-  O pastor do Tabernáculo Metropolitano sem entender a heresia apostólica agradeceu as boas vindas.
O apóstolo querendo introduzir Spurgeon ao mundo gospel lhe disse: 
- Nobre pastor, quero lhe levar para assistir um show gospel! Você precisa ver, é tremendo! O povo dança, pula, vibra, canta e "sai do chão" com muita alegria. 
Spurgeon sem entender o que o apóstolo falava, disse: "Show gospel? O que é isso? É um culto?
O apostolo respondeu:  - Muito mais que isso! É benção pura, sem mistura! 
- Como funciona isso?  perguntou Spurgeon.
Ora, caro pastor. Um show gospel, tem muita música, dança, alegria e testemunhos do poder de "Papai".
Querendo entender melhor, spurgeon pergunta: - E a pregação da Palavra? 
Sem esperar Spurgeon terminar de falar o apóstolo disse: - Que pregação de palavra o que! Isso é bobagem! Somos uma geração de adoradores extravagantes! Vou te levar ao Show do cantor da moda. Isso mesmo, vou te levar ao show do Thales Roberto. Você vai ver, será tremendo!
Lá foram então os dois em direção ao show gospel. Quando chegaram ao clube onde aconteceria o evento, Spurgeon se assustou com a quantidade de jovens que tinham em mãos um boneco. Curioso, ele perguntou ao apóstolo: - Que boneco é esse? E o apóstolo respondeu com cara de poucos amigos: - Ora, ignorante inglês, esse é o Thaleco, o boneco do grande cantor gospel.
Mal terminou de falar, e a multidão ensandecida começou a gritar: "Thales, cadê você eu vim aqui só pra te ver."
Spurgeon chocado com o que via disse: - Não estou entendendo! Qual é o propósito desse pula-pula? 
Entretenimento, disse o apostolo. Nossos jovens precisam se divertir, mesmo porque, somos filhos do Rei. Deus nos chamou para sermos cabeça e não calda e outra coisa, precisamos evangelizar a juventude e essa história de pregar o evangelho, de falar em pecado é coisa ultrapassada. Se tivermos tempo vou levá-lo a uma boate gospel. Você vai amar!
Spurgeon indignado com aquilo disse: - A Igreja não foi chamada por Cristo para promover entretenimento. Por favor preste atenção no que vou lhe dizer: O adversário das nossas almas tem agido como o fermento, levedando toda a massa. Você precisa entender que o diabo não criou algo mais perspicaz do que sugerir à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com vistas a ganhá-las.  Por favor entenda que a igreja de Cristo não tem por obrigação promover entretenimento. Antes pelo contrário, o Evangelho com todas as suas implicações precisa ser pregado de forma simples e objetiva, mesmo porque, somente o Evangelho tem poder para transformar os corações dos homens. 
Spurgeon, disse o apóstolo, deixa de ser careta, isso foi no passado, os tempos são outros, "agora é nóis" e outra coisa: Eu sou apóstolo e Deus me deu uma revelação super nova, revelação essa  que ninguém até agora teve, portanto, o que você falou é uma grande bobagem.
Nesse ínterim,  o organizador do evento subiu ao palco para anunciar que o Thales não iria mais cantar, simplesmente pelo fato  de que ele não tinha recebido o dinheiro combinado em contrato.
Spurgeon, chocado com o que viu correu em direção a máquina do tempo desejoso de o mais rápido possível regressar a Inglaterra Vitoriana, mesmo porque, lá ainda não existia essa história de show gospel.
Deus tenha misericórdia da igreja brasileira.
Com lágrimas nos olhos,
Renato Vargens

sexta-feira, 8 de maio de 2015




Eu não poderia dar uma definição melhor do que a que está expressa nestas palavras de Isaías: "Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e inteligentes na sua própria opinião!" Humanismo é a crença na humanidade. E o interesse ape¬nas nos homens e mulheres, sem levar Deus em consideração. Ele exclui Deus porque crê que os seres humanos são suficientes em si mesmos. Esta é a verdadeira essência do Humanismo. O homem é o centro do universo, e não há nada maior nem mais grandioso.

Existem dois tipos principais de Humanismo: o que é chamado de "Humanismo clássico", o que significa que para sua direção na vida e entendimento da mesma você não vai à Bíblia, mas retorna à literatura, à filosofia, ao drama e à poesia gregos. Os humanistas clássicos são pessoas que estudam os grandes autores gregos e conduzem sua vida de acordo com seus ensinos.

Não é função do ensino cristão desacreditar os gregos. Eles foram realmente grandes homens. O Humanismo, porém, clássico ensina que não há nada além deles, e que se você desejar sabedoria deve retroceder ao pensamento e à meditação dessas mentes gigantes do passado. Você os estuda e raciocina com eles, e tenta entender o que pensavam e o que nos deixaram. Procura, então, pôr aquilo em prática. Este é, no mundo presente, o modo de viver uma vida boa e harmoniosa.

A outra forma que o Humanismo toma é a conhecida como "Humanismo científico". O clássico representa o poético, o filosófico, e assim por diante. Por outro lado existe a perspectiva científica, a abordagem que diz que a resposta para os problemas do mundo não virá da filosofia grega ou poética mas da percepção científica de todo o universo, incluindo os seres humanos.

Este é o mais moderno dos dois tipos de Humanismo. Ele reivindica ser novo porque as descobertas são, no mínimo, comparativamente recentes, retrocedendo pouco menos que uns 400 anos, no máximo. Ao investigar os mistérios do universo e sua constituição, você descobre a verdade científica sobre a vida, e, a partir daí, começa a trabalhar seu próprio esquema de vida.

Temos que examinar isso porque, aqui em Isaías, está dito que esta confiança na sabedoria humana leva ao "ai". Mas vamos ser claros sobre isso. Não é parte da argumentação pró-evangelho pregar a desvalorização do intelecto. Na verdade, isto é o oposto do ensino do Evangelho. O Evangelho dá muito valor ao intelecto. Que ninguém pense que o que Isaías quer dizer é que não há nenhum valor em se ter um cérebro, ou na habilidade em usá-lo, ou no entendimento, no poder da razão, e assim por diante. Não se trata disso. Não há nada errado com o intelecto ou com o saber em si. Na verdade, a Bíblia diz-nos que o mais alto dom que Deus deu a homens e mulheres no campo dos talentos - não estou falando da alma e do espírito, mas de dons, - é o da mente, da razão e do entendimento.

O que é verdadeiramente maravilhoso sobre os seres humanos é que eles podem contemplar-se a si mesmos, analisar-se, avaliar-se e criticar-se a si próprios. Este é um tremendo dom, segundo a Bíblia, dado por Deus. Então, não devemos dizer nada que desvalorize o intelecto, a razão ou a mente. O pregador cristão não é apenas um sentimentalista ou um obscurantista. Não é apenas um homem que conta histórias e tenta divertir as pessoas. Ele está aqui para raciocinar com elas, porque Deus lhe deu uma mente para ser usada. Mas, como vou mostrar, a verdadeira explicação para o problema do mundo é o fato de que as mentes se corromperam, e o homem não sabe como usá-la adequadamente.

Qual é, então, a atitude da Bíblia com relação ao Humanismo? E que, conquanto esteja tudo certo com a mente, o entendimento e a razão, o erro das pessoas está em colocarem sua confiança na mente. Elas têm tanto orgulho dela que começam a adorá-la. Pensam que é suficiente em si mesma, e nada além é necessário. O problema tem início quando começam a se gabar da razão e a acreditar que, com sua mente, podem envolver o cosmos inteiro. Esta afirmativa de Isaías define perfeitamente essa questão - "Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos." Eles se colocaram num pedestal. "Olhe para mim" - dizem -, "não sou mesmo maravilhoso?" "Sábios a seus próprios olhos, e inteligentes na sua própria opinião." Não há nada errado em ser sábio, mas, se você for sábio a seus próprios olhos, estará em uma situação muito perigosa. É excelente ser inteligente, mas, se você for inteligente na sua própria opinião, estará sob a condenação proferida pelo profeta.

Eu creio que isto ficou claro. Longe de querer dizer que não há valor no intelecto, o que desejo é usar o pouco que tenho, e vou pedir-lhe que faça o mesmo!

Por que Deus pronuncia um "ai" sobre aqueles que são sábios a seus próprios olhos, e adoram seu cérebro e entendimento: os humanistas? A primeira resposta é a de que esta é a própria essência de seus problemas e males; esta é a causa principal de todos os males da raça humana. Leia a Bíblia e verá que ela diz que este foi seu pecado original, e assim tem sido desde então. A tentação que primeiro veio ao homem e à mulher, como já vimos, foi: "Será que Deus disse?" (Gênesis, 3:1). Em outras palavras: Será que Deus está tentando reprimi-lo? Estará tentando colocar-se entre você e o conhecimento do bem e do mal? Será que está buscando esconder algo de você?

"Está" - disse o diabo -, "porque ele sabe que, se vocês comerem do fruto, vocês serão deuses, terão entendimento, saberão tudo, serão iguais a ele."


Este foi o primeiro pecado do homem, e tem sido a causa de todos os males subseqüentes.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Geração Adoradora???

Por Suzy




O parâmetro que podemos avaliar o quanto uma geração é conhecedora de Deus, e de seus atributos se faz através do que ela canta e como ora, percebe-se em seus cantos e orações o seu conceito de Deus. 
Existe adoração quando a centralidade do culto estar no homem e não no Senhor? Ou seja, a inversão de valores hoje está explícita, escancarada de forma grotesca causando repúdio tal vitupério a soberania de Deus. O que vemos hoje é a divinização do homem sobre a humanização de Deus, quão diferente é do que encontramos nos textos bíblicos:

"E orei ao Senhor, meu Deus e confessei e disse: Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas o concerto e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos;
Pecamos, e cometemos iniquidade, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos"(Daniel 9:4-5), como dizer-se culpado, pois não há mais culpa nessa geração, todos seus pecados já não são mais pecados e sim distúrbios adquiridos;

" E disse: Meu Deus! estou confuso e envergonhado, para levantar a ti minha face, meu Deus, porque as nossas iniquidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa tem crescido até os céus.
Desde os dias de nossos pais até o dia de hoje, estamos em grande culpa e, por causa das nossas iniquidades, fomos entregues, nós, os nossos reis e os nossos sacerdotes, na mão dos reis das terras, à espada, ao cativeiro, ao roubo, e à confusão do rosto, como hoje se vê."(Esdras 9:6-7)mais uma vez encontramos uma genuína confissão de culpa, e no prosseguir do capítulo, a necessidade de não só confessá-lo, mas de extinguir  para que seja restabelecida a presença do Senhor no meio de seu povo;

"Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome, para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite, pela fé, nos vossos corações, a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura e, o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda plenitude de Deus.

Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém" . (Efésios 3:14-21), segundo Paulo: a hegemonia do evangelho é centrado na pessoa de Cristo Jesus, desta forma a igreja terá poder de ser cheia da plenitude de Deus,  por gerações e gerações, sobre os séculos dos séculos.

E, que concepção de Deus tinha os pais da igreja, reformadores e puritanos, vejamos mediante a algumas de suas orações:


"A ti, Deus, louvamos. A ti, Senhor,testemunhamos.A ti, Pai eterno, digno de toda a adoração, honramos.Teus são todos os anjos, todos os céus,todos os poderes. A ti glorificam querubins e serafins.Santo, santo, santo, Senhor Deus dos exércitos celestiais!" (Oração litúrgica do 3. século)


"Quem chegará a ti? O espírito pesquisador, com todo o seu cismar, não o conseguirá. À tua presença só chega a fé em teu Filho Jesus Cristo, tua verdade, nossa vida." (Efram o Sírio,306-373)


"Pai, concede-nos sabedoria para te conhecer,zelo para te buscar, um coração disposto a meditar sobre ti, uma vida disposta a anunciar-te, no poder do Espírito do nosso Senhor Jesus Cristo".(Ambrósio, bispo de Milão, 4. século)




"Voltar as costas a ti significa cair. Voltar o rosto a ti significa ressurgir.Viver em ti dá refúgio eterno. Em todas as nossas tarefas queiras dar-nos o teu apoio, em toda a nossa insegurança
queiras guiar-nos, em todo sofrimento dar-nos a tua paz."
(Santo Agostinho, 354-430)

"Meu Deus e Senhor, tu és minha esperança.Dá que nesta vida cresça meu conhecimento de ti , para ser consumado na vida eterna.Dá que aqui cresça meu amor a ti e que lá chegue à maturidade, a fim de que minha alegria nesta vida seja grande na esperança. Na vida eterna, porém, seja perfeita na tua glória." (Anselmo de Cantuária, 1033-1109)



"Senhor, não queremos deixar-nos vencer por pânico algum. Antes queremos viver como pessoas que sabem de um conforto totalmente diferente, um conforto superior àquele que o mundo possui. Outros se fiam em seu poder e fortuna terrenos. Nós, porém, queremos ter nosso consolo em ter um Deus
que certamente nos assistirá." (Martim Lutero, Reformador, 1483-1546)


Para que essa geração venha ser verdadeiramente adoradora, é necessário um retorno ao verdadeiro evangelho, o evangelho teocêntrico e não antropocêntrico dos dias atuais.

Soli Deo Gloria,

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Escarniopatia

Por Suzy                      
                                                           Escarniopatia



A igreja precisa voltar-se as escrituras não se moldando a cultura. De flerte com o mundanismo, o adultério é inevitável, mas a verdadeira igreja do Senhor é santa, e não negocia a glória de Deus, por a de homens.

Anseio que o verdadeiro evangelho venha preponderar em nossas igrejas, sem conceitos humanistas, liberais ou sincréticas, buscando a Cristo e não a métodos que possam enche-las, e na verdade como enchem!!!, porém inchadas de crentes nominais, estão lotadas do desconhecimento de Deus, e vazias do conhecimento, como meninos inconstantes levados por todo vento de doutrina, creem num deus ídolo que possa satisfazer seus desejos e vontades.

De certo, não se faz despercebido igrejas integradas em costumes da cultura, costumes esses efetivamente pagãos, bailes gospel, arraial junino gospel (arrasta fé ou sem João com Jesus), carnaval gospel, ou seja, pessoas que se dizem cristãs pegando métodos mundanos e colocando rótulo gospel e as integrando na igreja.

Evidentemente, para sermos fiéis ao evangelho, receberemos rótulos de fora de moda em qualquer época ou geração.

O Senhor abomina tudo que não venha D’ele, por’Ele e pra’Ele!

Eu sou o primeiro, e eu Sou o último, e fora de Mim não há Deus”(Is 44:6b).

“...e apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela.” - Tito 1:9

quarta-feira, 29 de abril de 2015

A VItimização Quer Tirar o Poder da Cruz!


Por Suzy



Não encontramos nenhum pecado na bíblia sendo chamado por outro nome, Davi diante do adultério confessou “pequei contra o Senhor”(2Samuel 12:13), e o que disse Samuel perante a desobediência de Saul “Não tornarei contigo; porquanto rejeitas-te a palavra do Senhor" (1 Samuel 15:26), o que disse Pedro a Ananias “não mentistes aos homens, mas a Deus” (At 5:4).

Entretanto, a cultura do pós-modernismo ou cultura contemporânea estimula as pessoas a pensarem que não são mais culpadas, que não existe mais culpa em ninguém, porque somos o resultado dos fatos que nos acontece, por isso somos todas vítimas, ou seja, a vitimização criou essa coisa de que ninguém é mais culpado de coisa alguma, onde o que era pecado antes hoje é chamado de doença, distúrbio ou transtorno.

Até o final do século XIX o reconhecimento da culpa mostrava no homem, bom senso, integridade, discernimento, fazia de você uma pessoa mais saudável, mas hoje quem sente culpa demonstra imaturidade, não consegue se aceitar, está preso a padrões estabelecidos pela sociedade, ou através da religião, da família ou que você mesmo colocou e não consegue cumpri-los.

 Por isso, para tudo que se faz de errado foi criado um distúrbio: 

Homens que não se contentam com uma única mulher é chamado de (viciado em sexo); pessoas que perdem tempo vendo vídeos imorais(viciado em pornografia); glutonaria(distúrbio alimentar); quem não cumpre as leis(distúrbio de conduta); criança que não conhece limites, não obedece a pai, mãe, professor e aos mais velhos, então essa criança tem(déficit de atenção ou é imperativa); quem faz uso de drogas lícitas e ilícitas(dependente químico); pessoas que faz tudo para provocar e serem sedutoras( transtorno histriônico da personalidade), existe distúrbio para tudo, a verdade é que todos nós queremos pecar, não seguir regras, e não se sentir culpado. 

Que é isso, onde foi parar o pecado? Para onde foi a culpa? O que foi que aconteceu com eles? Pensamos de modo que, não existe mais pecado que necessite de correção, que precise ser retratado, porque é mais fácil dizer que é doença, do quê reconhecer como Davi assim o fez: “PEQUEI CONTRA O SENHOR”, a afirmação foi puramente legítima diante de Deus, eu pequei não Bate-Seba, ou foi a libido responsável por um desejo irrefreável!

Todavia, se enquanto cristãos expressamos a mesma forma de pensar que o mundo, estamos fingindo que acreditamos na cruz, visto que, quanto mais se enxerga quão grosseiro é o pecado, mais se consegue vislumbrar o amor de Deus, e a necessidade de recebermos perdão, quanto menos se enxerga o quanto ordinário é o pecado, menos a cruz terá valor...e o arrependimento esse já se faz remoto!

Sola Gratia!