sábado, 21 de novembro de 2015

Porque todos pecaram...(João Calvino)

 

Romanos 3.23-26

(23) Porque todos pecaram e foram privados da glória de Deus; (24) sendo justificados gratuitamente por sua graça mediante a redenção que está em Cristo Jesus; (25) a quem Deus apresentou como propiciação, por meio de seu sangue, para manifestar sua justiça, visto ter deixado impunes os pecados anteriormente cometidos, de conformidade com sua tolerância; (26) pois tendo em vista, digo eu, a manifestação de sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus
23. Porque não há distinção: Todos pecaram e privados estão da glória de Deus. Paulo insiste em que todos, sem distinção, carecem de buscar justiça em Cristo, como se dissesse: “Não há outro caminho para a obtenção desta justiça. Não há um método para justificar alguns, e outro método diferenciado para justificar outros, senão que todos igualmente têm de ser justificados por meio da fé, já que todos são pecadores, e ninguém tem como justificar-se diante de Deus.” Ele tem por certo que todo mundo que se aproxima do tribunal divino se conscientiza plenamente de ser pecador, e se sente aniquilado e perdido sob o senso de sua própria culpa. E assim faz-se evidente que nenhum pecador pode suportar a presença de Deus, como se pode ver no exemplo de Adão [Gn 3.8].
O apóstolo ataca novamente com um argumento extraído do oposto; por esta razão é bom notarmos seu raciocínio. Visto que todos os homens são pecadores, daí o apóstolo inferir que todos são deficientes ou desprovidos de todo e qualquer louvor da justiça. Portanto, à luz de seu ensino, não existe justiça senão aquela que é perfeita e absoluta. Se porventura existisse aquilo a que chamam de meia-justiça, então não haveria qualquer necessidade de privar o homem, completamente, de toda e qualquer glória por ser ele um pecador. Por isso, a ficção criada por alguns de uma justiça parcial é suficientemente refutada. Se porventura tivesse base o conceito de que somos parcialmente justificados pelas obras e parcialmente pela graça de Deus, então este argumento de Paulo, de que todos se acham privados da glória de Deus por serem pecadores, careceria de qualquer força. Portanto, o certo é que não há justiça onde o pecado se faz presente, até que Cristo elimine a maldição. É precisamente isso o que Paulo está a declarar em Gálatas 3.10, a saber: que todos quantos se acham debaixo da lei estão expostos à maldição, e que somos libertados dela somente através da munificência de Cristo. A glória de Deus significa a glória que está na presença de Deus, como em João 12.43, onde nos diz nosso Senhor que amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus. Assim o apóstolo nos arrebata do aplauso dos palcos humanos e nos coloca diante do tribunal celestial.
24. Sendo justificados gratuitamente por sua graça. O particípio do verbo é usado aqui de acordo com o costume grego. Eis o significado: visto que não é deixado ao homem, intrinsecamente, senão o fato de que ele perece acossado pelo justo juízo de Deus, por isso é que todos são justificados gratuitamente pela misericórdia divina. Pois Cristo vem em socorro das misérias humanas e se comunica com os crentes, de modo que tão-somente encontrem nele todas as coisas de que carecem. É provável que não haja na Escritura nenhuma outra passagem que ilustre de forma tão extraordinária a eficácia desta justiça, pois demonstra que a misericórdia divina é a causa eficiente; Cristo e seu sangue, a causa material; a fé, concebida pela Palavra [Rm 10.17], a causa instrumental; e a glória, tanto da justiça divina quanto da munificência divina, a causa final.
Com respeito à causa eficiente, o apóstolo diz que somos justificados gratuitamente, e que somos justificados – o que reforça ainda mais – por sua graça. Assim, ele usou duas vezes a expressão para que se saiba que tudo vem de Deus, e nada de nós mesmos. Teria sido suficiente confrontar graça e mérito; porém, para impedir que entretivéssemos a idéia de uma justiça truncada, ele firmou ainda mais nitidamente seu significado por meio de repetição, e assim reivindicou para a misericórdia de Deus, exclusivamente, todo o efeito de nossa justiça, a qual os sofistas dividem em duas partes e mutilam, com o fim de não se sentirem constrangidos a admitir sua própria pobreza.
Mediante a redenção que está em Cristo Jesus. Esta é a causa material, a saber: o fato de que Cristo, mediante sua obediência, satisfez o juízo do Pai; e ao tomar sobre si nossa causa, livrou-nos da tirania da morte, por meio da qual fomos mantidos em cativeiro. Nossa culpa é cancelada pelo sacrifício expiatório por ele oferecido. Aqui, novamente, a ficção daqueles que fazem da justiça uma qualidade [humana] recebe sua melhor refutação. Se somos considerados justos diante de Deus em razão de sermos redimidos mediante um preço, certamente recebemos de outra fonte o que não possuímos. O apóstolo, logo a seguir, explica mais claramente o valor e objetivo desta redenção, ou, seja: ela nos reconcilia com Deus, pois ele chama Cristo de propiciação ou (prefiro usar a alusão a uma figura mais antiga) propiciatório. O que ele pretende é que somos justos somente até onde Cristo reconcilia o Pai conosco. Mas devemos agora examinar o que ele diz

25. A quem Deus apresentou como propiciação. O verbo grego, προτίθεναι, às vezes significa predeterminar e às vezes apresentar. Se porventura preferirmos o primeiro significado, então Paulo está a referir-se à graciosa misericórdia de Deus em haver designado Cristo como nosso Mediador a fim de reconciliar o Pai conosco por meio do sacrifício de sua morte. Não é um encômio comum da graça de Deus o fato de que, de seu próprio beneplácito, ele encontrou uma forma pela qual pudesse remover nossa maldição. Na verdade, tudo indica que a presente passagem concorda com aquela que se acha em João 3.16: “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu Filho unigênito.” Entretanto, se adotarmos o segundo significado, o sentido será o mesmo, a saber: que, a seu próprio tempo, Deus o apresentou, a quem designou Mediador. Há, creio eu, na palavra ἱλαστήριον, como já disse, uma alusão ao antigo propiciatório, pois o apóstolo nos informa que em Cristo foi exibido em realidade, aquilo que, para os judeus, foi dado figuradamente. Entretanto, visto que o outro ponto de vista não pode ser descartado, caso o leitor prefira aceitar o sentido mais simples, então deixarei a questão em aberto. O significado específico do apóstolo, aqui, se faz ainda mais evidente se atentarmos para o que ele diz, ou, seja: que Deus, à parte de Cristo, está sempre irado conosco, e que somos reconciliados com ele quando somos aceitos por meio de sua justiça. Deus não nos odeia na qualidade de feituras suas, ou, seja, pelo fato de nos ter criado como seres viventes, mas o que ele odeia em nós é a impureza, a qual extinguiu a luz de sua imagem. Quando esta [impureza] é removida, então ele nos ama e nos abraça como feituras suas, próprias e puras.
Como propiciação pela fé em seu sangue. Prefiro esta retenção literal da linguagem de Paulo, visto que, segundo meu modo de pensar, sua intenção era usar uma única idéia ao declarar que se reconcilia conosco tão logo pomos nossa confiança no sangue de Cristo. Porque é pela fé que tomamos posse deste benefício. Ao mencionar somente o sangue, ele não pretendia excluir as outras partes da redenção; ao contrário, pretendia incluir tudo numa única palavra, e fez menção do sangue porque é nele que somos lavados. E assim toda a nossa expiação é compreendida no ato de se tomar a parte pelo todo. Havendo uma vez afirmado que Deus nos reconciliou em Cristo, ele agora adiciona que esta reconciliação é processada através da fé, ao mesmo tempo que, olhar para Cristo, constitui o principal objetivo de nossa fé.
Visto ter deixado impunes os pecados anteriormente cometidos. A preposição causal [visto que] é equivalente a por causa da remissão ou com o fim de apagar nossos pecados. Esta definição ou explicação confirma novamente o que tenho reiteradamente aludido, ou, seja: que os homens são justificados não pelo que são na realidade, mas por imputação. Somente ele usa várias formas de expressão com o propósito de fazer mais evidente que não há mérito algum inerente em nós concernente a esta justiça. Se a obtemos pela remissão dos pecados, concluímos que ela se acha além de nós mesmos; e mais: se a remissão em si é um ato exclusivo da liberalidade divina, então todo mérito cai por terra.
Pode-se, contudo, perguntar por que o apóstolo restringe o perdão aos pecados passados. Embora esta passagem seja explicada de várias formas, penso ser provável que o apóstolo estivesse pensando nas expiações legais, as quais eram na verdade evidências da satisfação futura, mas que não possuíam os meios de aplacar a Deus. Em Hebreus 9.15, temos uma passagem similar, na qual se declara que a redenção das transgressões que restavam sob o antigo pacto foi produzida por Cristo. Entretanto, não temos que entender que só as transgressões daqueles tempos foram expiadas pela morte de Cristo. Esta é uma idéia completamente sem sentido, a qual alguns extremistas têm extraído de uma visão distorcida desta passagem. Paulo ensina simplesmente que, até a morte de Cristo, não fora pago nenhum preço para satisfazer a Deus, e que isso não fora realizado nem consumado pelos tipos legais – por isso a verdade fora adiada até que chegasse a plenitude dos tempos. Podemos dizer mais, que aquelas coisas que nos envolvem em culpa têm de ser consideradas pelo mesmo prisma, porquanto só há uma única propiciação para todos.
A fim de evitar inconsistência, alguns eruditos têm mantido que os pecados anteriores são perdoados, com o fim de não parecer que se dava permissão para pecar-se no futuro. Sem dúvida que é verdade que nenhum perdão é oferecido exceto para os pecados já cometidos, não porque o valor da redenção se extinga ou se perca, caso pequemos no futuro – segundo o conceito de Novato e seus sequazes –, mas porque a dispensação do evangelho consiste em pôr o pecador diante do juízo e da ira de Deus, e em pôr a misericórdia divina diante do pecador. Contudo, o verdadeiro sentido está no que já havia explicado.
A frase adicional, de que esta remissão teve por base a longanimidade de Deus, significa simplesmente bondade. Esta serviu para restringir o juízo divino, e o impediu de inflamar-se para nossa destruição, até que fôssemos finalmente recebidos em seu favor. Não obstante, para não parecer que esta idéia foi posta aqui à guisa de antecipação com o fim de evitar-se a objeção de que esta graça surgiu somente em última instância, Paulo nos instrui que isso constitui uma evidência da longanimidade [divina]

26. Tendo em vista a manifestação de sua justiça. A reiteração desta cláusula é enfática e revela a intenção deliberada do apóstolo, visto que a mesma era muito necessária. Não há dificuldade maior do que persuadir alguém a privar-se de toda honra e atribuí-la a Deus; mesmo assim, o apóstolo intencionalmente menciona esta nova demonstração da justiça divina, visando a que os judeus abrissem seus olhos para ela.
No tempo presente. O apóstolo, corretamente, aplica ao período em que Cristo se revelou o que existira em todos os tempos, pois Deus manifestou publicamente em seu Filho o que anteriormente fora conhecido de forma obscura e em meio às sombras. Desta forma, a vinda de Cristo se deu no tempo do beneplácito divino e no dia da salvação [Is 49.8; 2Co 6.1,2]. Deus, em todas as épocas, havia dado provas de sua justiça; mas, ao nascer o Sol da Justiça, a mesma [justiça] despontou com maior resplendor. Portanto, observemos bem a comparação entre o Velho e o Novo Testamentos, porque a justiça de Deus só se revelou claramente no tempo em que Cristo apareceu.

Para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus. Esta é uma definição daquela justiça que, como disse Paulo, foi revelada no tempo em que Cristo se manifestou, e que, segundo nos ensinou no primeiro capítulo, se fez conhecida no evangelho. Ele afirma que ela consiste de duas partes: a primeira consiste em que Deus é justo, não propriamente um entre muitos, mas o único que possui inerentemente toda a plenitude da justiça. Ele recebe o pleno e perfeito louvor que só a ele é devido, como o único que detém o nome e a honra de ser justo, ao mesmo tempo em que toda a raça humana se acha condenada por sua injustiça [inerente]. A segunda parte refere-se à comunicação da justiça, pois Deus de forma alguma oculta suas riquezas em seu Ser, senão que as derrama sobre todo o gênero humano. A justiça divina, pois, resplandece em nós na medida em que Deus nos justifica por meio da fé em Cristo, pois este haveria sido dado em vão, para nossa justiça, caso não o usufruíssemos, por meio da fé. Segue-se disso que todos os homens, inerentemente, são injustos e estão perdidos, até que o remédio celestial lhes seja oferecido.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A máquina do tempo, Spurgeon e a sua visita a um show gospel de Thalles Roberto

A máquina do tempo, Spurgeon e a sua visita a um show gospel de Thalles Roberto



  Pois bem, o grande Spurgeon entrou na máquina do tempo vindo visitar o Brasil.  Para início de conversa ele foi recebido por um "Apóstolo" que lhe disse:
- Spurgeon, bem vindo ao Brasil. Eu profetizo sobre sua vida todo tipo de vitória, mesmo porque, fiquei sabendo que você é um oprimido do diabo e que devido a isso sofre de gota. 
-  O pastor do Tabernáculo Metropolitano sem entender a heresia apostólica agradeceu as boas vindas.
O apóstolo querendo introduzir Spurgeon ao mundo gospel lhe disse: 
- Nobre pastor, quero lhe levar para assistir um show gospel! Você precisa ver, é tremendo! O povo dança, pula, vibra, canta e "sai do chão" com muita alegria. 
Spurgeon sem entender o que o apóstolo falava, disse: "Show gospel? O que é isso? É um culto?
O apostolo respondeu:  - Muito mais que isso! É benção pura, sem mistura! 
- Como funciona isso?  perguntou Spurgeon.
Ora, caro pastor. Um show gospel, tem muita música, dança, alegria e testemunhos do poder de "Papai".
Querendo entender melhor, spurgeon pergunta: - E a pregação da Palavra? 
Sem esperar Spurgeon terminar de falar o apóstolo disse: - Que pregação de palavra o que! Isso é bobagem! Somos uma geração de adoradores extravagantes! Vou te levar ao Show do cantor da moda. Isso mesmo, vou te levar ao show do Thales Roberto. Você vai ver, será tremendo!
Lá foram então os dois em direção ao show gospel. Quando chegaram ao clube onde aconteceria o evento, Spurgeon se assustou com a quantidade de jovens que tinham em mãos um boneco. Curioso, ele perguntou ao apóstolo: - Que boneco é esse? E o apóstolo respondeu com cara de poucos amigos: - Ora, ignorante inglês, esse é o Thaleco, o boneco do grande cantor gospel.
Mal terminou de falar, e a multidão ensandecida começou a gritar: "Thales, cadê você eu vim aqui só pra te ver."
Spurgeon chocado com o que via disse: - Não estou entendendo! Qual é o propósito desse pula-pula? 
Entretenimento, disse o apostolo. Nossos jovens precisam se divertir, mesmo porque, somos filhos do Rei. Deus nos chamou para sermos cabeça e não calda e outra coisa, precisamos evangelizar a juventude e essa história de pregar o evangelho, de falar em pecado é coisa ultrapassada. Se tivermos tempo vou levá-lo a uma boate gospel. Você vai amar!
Spurgeon indignado com aquilo disse: - A Igreja não foi chamada por Cristo para promover entretenimento. Por favor preste atenção no que vou lhe dizer: O adversário das nossas almas tem agido como o fermento, levedando toda a massa. Você precisa entender que o diabo não criou algo mais perspicaz do que sugerir à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com vistas a ganhá-las.  Por favor entenda que a igreja de Cristo não tem por obrigação promover entretenimento. Antes pelo contrário, o Evangelho com todas as suas implicações precisa ser pregado de forma simples e objetiva, mesmo porque, somente o Evangelho tem poder para transformar os corações dos homens. 
Spurgeon, disse o apóstolo, deixa de ser careta, isso foi no passado, os tempos são outros, "agora é nóis" e outra coisa: Eu sou apóstolo e Deus me deu uma revelação super nova, revelação essa  que ninguém até agora teve, portanto, o que você falou é uma grande bobagem.
Nesse ínterim,  o organizador do evento subiu ao palco para anunciar que o Thales não iria mais cantar, simplesmente pelo fato  de que ele não tinha recebido o dinheiro combinado em contrato.
Spurgeon, chocado com o que viu correu em direção a máquina do tempo desejoso de o mais rápido possível regressar a Inglaterra Vitoriana, mesmo porque, lá ainda não existia essa história de show gospel.
Deus tenha misericórdia da igreja brasileira.
Com lágrimas nos olhos,
Renato Vargens